por Thales Trigo
Desde a sua invenção, a fotografia se tornou o mais rápido, prático e o mais usado sistema para a representação do mundo.
A fotografia modificou completamente a visão que se tinha das pessoas, geografia, objetos e do planeta como um todo. A fotografia em preto e branco foi o centro dessa grande mudança.
É verdade que os fotógrafos e principalmente os cientistas, procuraram, desde o final do século XIX, uma possibilidade de se representar às variações espectrais do mundo, isto é, uma fotografia colorida. Apenas por volta de 1935, com o aparecimento dos filmes positivos Kodachrome, isso se tornou possível para parte do público.
Somente o lançamento dos filmes e papéis da linha Kodacolor em 1942 levou o colorido para o mundo dos amadores.
Apesar do grande sucesso das imagens coloridas, a fotografia em preto e branco sempre se manteve como um sistema mais amplo de representação do mundo. A estabilidade dos materiais, a facilidade no processamento dos filmes e papéis e seu uso por grandes nomes da fotografia foi sempre uma referência importante para todos, principalmente para os que se iniciavam na fotografia.
A mágica de se observar uma imagem surgindo na banheira do revelador é freqüentemente relatada por muitos como a “grande descoberta”, um momento inesquecível na vida de um fotógrafo. Além disso, no processo preto e branco, o fotógrafo tem como controlar todo o processo, da exposição até a cópia final com relativa facilidade uma vez que os equipamentos e materiais são simples. Quantos grandes fotógrafos começaram a revelar suas imagens em laboratórios minúsculos e improvisados! Os processos coloridos são mais complexos e envolvem controles e equipamentos que, normalmente não estão à disposição dos amadores.
O surgimento da fotografia digital e a rapidez com que as técnicas tradicionais estão sendo substituídas lançam uma nova questão: o que vai acontecer com a fotografia em preto e branco?
No Brasil, filmes, papéis e produtos químicos para o (processamento da fotografia em...) preto e branco estão se tornando raros. Em muitas cidades já não são mais encontrados e mesmo nos maiores centros, a dificuldade em se encontrar alguns produtos é grande. É claro que essas dificuldades inibem o aparecimento de novos cursos de fotografia e assim a cadeia aprendizado / produção fotográfica se desfaz rapidamente.
A utilização do minilab digital, isto é, usar-laboratórios fotográficos com papel colorido para a produção de cópias em preto e branco é possível, mas os resultados quase sempre ruins – tons de verde ou magenta são freqüentes e desanimadores em muitos casos.
Creio que a solução da representação em preto e branco está, provavelmente, nas impressoras que funcionam com jato de tintas. Essas “máquinas”, conhecidas há muitos anos estão cada vez melhores e sendo operadas por profissionais com excelentes resultados. Impressoras jato de tintas projetadas para reprodução de fotografias usam papéis e tintas com características próprias para arquivamento, isto é, produzem cópias que, se guardadas adequadamente, podem durar, de acordo com fabricantes e pesquisadores, dezenas ou até centenas de anos, ou seja, com a mesma durabilidade e resistência ao tempo dos materiais tradicionais bem processados. Com relação à reprodução de tons de cinza, impressoras jato de tintas, quando bem operadas, são excelentes.
Como se sabe, uma cópia fotográfica preto e branco de escala longa apresenta aproximadamente 220 tons entre o preto e a base branca do papel. Uma impressora jato de tintas pode produzir 256 tons, o que é mais que apropriado para qualquer situação de produção de imagens em preto e branco.
Dois problemas ainda devem ser analisados pelos fotógrafos: como escanear adequadamente negativos preto e branco e como equacionar os custos de impressão em jatos de tinta.
O escaneamento dos negativos vamos abordar em uma próxima coluna, os custos de impressão são um problema de mercado e escala produtiva. Nesse caso, o tempo, felizmente, age a favor dos fotógrafos.
Thales Trigo
Janeiro 2008