BONS PROJETOS RESITEM AO TEMPO?

por Thales Trigo

Antes da segunda Guerra Mundial. os países da Escandinávia não tinham uma indústria de equipamentos fotográficos. A maioria do equipamento era importado da Alemanha. Com o início do conflito em 1939, o governo da Suécia encomendou ao jovem fotógrafo e projetista óptico Victor Hasselblad um projeto para a construção de uma câmera para uso em aviões, uma câmera aérea.

A primeira Hasselblad foi apresentada em 1940 e fazia imagens em grande formato com 9 x 12 cm. Ao final da Guerra, Hasselblad desenvolveu um projeto de câmera de médio formato com imagens de
6 x 6 cm que se tornou um clássico, era o modelo 1600 F. Essa câmera  com uma objetiva e  obturador de plano focal tinha tempos de exposição variando entre 1 segundo e 1/1600 segundo um notável avanço técnico para a época e uma característica única, um magazine para filmes que era independente do corpo da câmera.  Com esse projeto pioneiro, o fotógrafo podia, usando diversos magazines,  escolher o tipo de filme melhor para cada situação, expor cada grupo de imagens da maneira mais apropriada e depois revelar os filmes de maneira controlada. Um único corpo de câmera e suas objetivas tinha ampla utilização. Ao longo dos anos os projetos foram sendo modificados até que a série 500 C  foi introduzida em 1952 com obturador central Compur e tempo de exposição de 1/500 segundo em uma objetiva Zeiss Tessar de f 2.8 .

Como padrão da empresa, o nome de um novo modelo dependia do tempo de exposição mais curto ( 500 por exemplo) e do tipo de obturador, F para focal e C para Compur.

Foi a excelência do projeto e as notáveis qualidades da Hasselblad que a tornaram um grande nome entre os fotógrafos.

Quando os sistemas digitais começaram a ser produzidos nos meados da década de 1990, a Hasselblad como câmera de médio formato era a opção mais inteligente e viável. Uma câmera com um magazine removível, grande qualidade óptica e mecânica passou a ser o principal suporte para os backs digitais que estavam sendo produzidos pela Leaf, Sinar, PhaseOne e Dicomed. Foi assim e ainda é assim.

A Hasselblad a fotografia é uma 500 CM (M de modificação – pequenas variações a partir da 500 C).

Essa câmera está acoplada a um back digital Leaf Aptus 75 com um sensor do tipo CCD fullframe  de 33 MegaPixels ( 6726 x 5040 pixels) e  medindo 48 x 36 mm.  O back digital tem um visor de 6 x 7 cm “touch screen”, isto é , o controle do back  é feito a partir de toques no visor e produz arquivos em TIFF com 95 MegaBytes em 8 bits ou arquivos de 190 MegaBytes em 16 bits.

Como todos os corpos de câmeras e magazines Hasselblad tem um código com um conjunto de letras que identificam o ano de produção e em seguida o número de série. Aqui vai o código Hassel:

V

H

P

I

C

T

U

R

E

S

1

2

3

4

5

6

7

8

9

zero

Uma câmera com o código TE 54328, foi produzida em 19 (69) com número de série 54328. Como o código foi introduzido nos meados do século vinte, o prefixo é sempre 19. Para as câmeras do século vinte, naturalmente o prefixo é 20.

 

 

 

 

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