BRASIL: CRESCIMENTO, TECNOLOGIA E O FOTÓGRAFO

por Thales Trigo

Nos últimos vinte anos, o PIB (produto interno bruto) brasileiro cresceu a uma ridícula média de 2,5% ao ano. O mundo, como um todo, cresceu nos últimos 4 anos a uma média de 4,0% enquanto a China, assombra a todos com crescimentos próximos dos 10% ao ano. Naturalmente a China não é uma boa comparação – pelo menos no que diz respeito a grande maioria de sua população que vive e trabalha em condições muito difíceis, para se dizer o mínimo.

O que nos interessa analisar é o que vem acontecendo com o fotógrafo brasileiro. Nessa análise, a falta de crescimento econômico implica na redução de mercado de trabalho e, como conseqüência uma séria crise de mercado e redução nos preços dos trabalhos fotográficos.

Em uma estimativa razoável, existem no Brasil aproximadamente 1500 estúdios fotográficos e calcula-se que 100 mil fotógrafos, destes 30 mil vivendo exclusivamente da fotografia - entenda-se fotografia no sentido mais amplo, todas as modalidades fotográficas.

E por que o crescimento do mercado é fundamental? Em duas palavras: investimentos ilimitados.

Desde os meados da década de 1990, mais precisamente em 1996, a fotografia digital chegou ao mercado brasileiro: inicialmente, esta chegada se deu de forma muito tímida e incipiente. As câmeras profissionais nessa época tinham resolução de 4 MP e custavam pequenas fortunas. Foram, em grande medida, desprezadas: muitos fotógrafos achavam que esse “tipo de coisa” era para um futuro distante. É claro que a avaliação foi errada, hoje o mercado é praticamente digital.

Muitas são as questões que chegaram junto com o mundo digital – mas, essencialmente, o aprendizado desse novo sistema que é muito mais complexo e a necessidade de investimentos freqüentes.

Durante décadas, fotógrafos fizeram investimentos em equipamentos que eram “para toda vida”, uma boa câmera e uma boa objetiva podiam ser usadas ao longo de toda a vida profissional e ainda mais – os filhos ou a viúva recebiam um “bem”.

Apesar de recente, a chegada dos sistemas digitais alterou esse panorama. A evolução tecnológica e a corrida por maiores resoluções tem obrigado ao fotógrafo, muitas vezes com dificuldades e sacrifícios a investimentos constantes. É praticamente impossível encontrar um fotografo profissional que não tenha feito pelo menos uma troca de equipamento nos últimos anos.

“Para onde vamos” é a pergunta mais freqüente.

Quando se analisam outros segmentos de mercado que foram dominados pela tecnologia uma resposta emerge. A telefonia celular é exemplo mais próximo, computadores pessoais e palmtops também.  Praticamente não existem limites para o desenvolvimento tecnológico, as câmeras digitais devem continuar sua evolução, mesmo que a resolução ou o número de pixels do sensor não cresça no mesmo ritmo que nos últimos anos as mudanças serão freqüentes. Modelos mais rápidos, melhores objetivas, visores maiores, conectividade com computadores e telefones celulares já são parte do presente. 

Alem disso, o fotografo tem ainda um outro desafio – a tecnologia dos bens de consumo como uma câmera fotográfica é sempre facilitadora, isto é, pode ser usada por uma pessoa com pouca experiência. Isso significa que o mercado brasileiro tem recebido nos últimos anos milhares de novos fotógrafos, e o nome é esse mesmo - fotógrafos.

Quem usa uma câmera é fotografo!

Bancos de imagens internacionais ou brasileiros, CDs com fotografias livres de direitos autorais e o cliente fotógrafo tornam o problema ainda maior.

Mercado sem crescimento, investimentos crescentes e concorrência abundante – esse é o cenário.

O que fazer, depende de cada um. Na nossa opinião apenas o conhecimento pode preservar a profissão. A fotografia não é mais um processo isolado, ela é, cada vez mais, parte de um conjunto onde o resultado final depende de diversas outra áreas do conhecimento. Computação, ilustração digital, marketing, percepção do mercado - e esperamos também, da sensibilidade e do olhar do fotógrafo.

 

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