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por Simonetta Persichettii
Texto publicado originalmente no Caderno2, Jornal Estado de S. Paulo no dia 09/03/2007
Ninguém fica imune diante de uma fotografia de Diane Arbus (1923-1971): nem quem gosta e nem quem não gosta. Nascida em Nova York, foi por meio de seu marido Allan Arbus que se iniciou na fotografia. Juntos montaram um estúdio e passaram a criar editoriais de moda (ele como fotógrafo, ela como estilista). Mas foi só após seu divorcio e de sua aprendizagem com a fotógrafa Lisette-Model (1901-1983) que ela iniciou seu trabalho autoral. Foi ela que inspirou e praticamente tornou Diane uma fotógrafa. Foi neste momento no final dos anos 50 que explode a profissional . É impressionante a força imagética e de comunicação de suas imagens. Fotógrafa humanista fez das ruas da cidade de Nova York seu estúdio fotográfico. Seus personagens nos miram de frente colocados apuradamente em pose pela fotógrafa. Mas o que realmente nos interessa são os fatos, as histórias que ela quer nos contar por meio de seus retratos. Ela registrava o que as pessoas em geral consideravam não fotografável. Ou o que a sociedade “de bem” se negava a ver. Ela queria mostrar que existia um outro mundo. E não precisava ir longe: achava seus personagens ao lado de sua casa: nas boates de Nova York, nos abrigos para pessoas abandonadas à sua própria sorte, nos parques de diversões, entre as pessoas internadas nos hospitais psiquiátricos. Sem dúvida, porém o mais marcante são os retratos. Ela procura o que aos olhos dos outros parece estranho, mesmo na “normalidade” ela procura o “anormal”. Em suas imagens ela não procura o “belo clássico” ela quer retratar a angústia, desespero, descrença. Ao mesmo tempo oferece para estes renegados o poder e a importância da pessoa fotografada. Se for verdade que todo retrato é um auto-retrato, possivelmente Diane Arbus procurava a si mesma em seus personagens. Mas isso pouco importa. Na verdade, o que fica destas imagens é o que deveria ficar de todas: não importa a fotografia em si, mas sim o que ela nos comunica, nos representa. E sem dúvida isso ela consegue. Suas imagens nos fazem pensar.
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