|
|
||||||||||||||||||
![]() |
|
|||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||
![]()
por Simonetta Persichetti
Texto publicado originalmente no Caderno 2 – Jornal Estado de S. Paulo no dia 5/03/2007 “Sou pago para mostrar o lado bom do Brasil”, costumava afirmar o fotógrafo francês Jean Manzon (1915-1990). E realmente, durante seus anos de fotojornalista no Brasil foi isso que ele fez. Ajudou a criar uma memória imagética do Brasil dos anos 40-50. Um país que se modernizava, que crescia. Parte destas imagens foram reunidas no livro “Jean Manzon-retrato vivo da grande aventura” (Editora Aprazível, em parceria com a Cepar Consultoria, Textos: Francisco Carlos Teixeira da Silva e Ana Cecília Martins com a colaboração de Paulo da Costa e Silva, R$ 150,00). Jean Manzon chegou ao Brasil no início dos anos 40, fugindo como muitos artistas de uma Europa que adentrava na Segunda Guerra Mundial e de um nazismo que alargava suas fronteiras. Ainda em Paris e muito jovem iniciou na imprensa, adquirindo experiência nas lendárias revistas ilustrada como Vu e Paris Match. Chegou ao Brasil com apenas 25 anos e foi logo trabalhar no DIP: Departamento de Imprensa e Propaganda, do governo Vargas. Foi lá que aprendeu a dar um ar propagandístico para as imagens que queriam divulgar um país que favorecesse o governo. Inegável que ele tinha talento para criar imagens estéticas, buscar o ângulo correto, a luz adequada pra criar o discurso que queria. Nisso ele foi genial. Alguns anos depois de sua chegada foi contratado pelo sobrinho de Assis Chateaubriand para trabalhar na revista “O Cruzeiro”, criada em 1928, mas que em termos jornalísticos e fotográficos deixava muito a desejar. Foi o sobrinho de Chateaubriand, Fredrico Bandeira de Melo Chateaubriand, o Freddy, que dirigia a redação da revista e convidou o fotógrafo francês a participar da equipe e palpitar sobre a publicação. Jean Manzon veio com idéias inovadoras, a revista precisou ser reformulada e ele criou a dupla repórter-fotógrafo que trabalhava em uníssono para a feitura das reportagens. Deve-se a ele também a obrigatoriedade do crédito do fotógrafo ao lado do nome do jornalista e o respeito deste profissional dentro das redações. A revista transformada se tornou um sucesso. Aliás, podemos creditar a ele o surgimento do fotojornalismo como linguagem autônoma na imprensa brasileira - embora a fotografia fizesse parte da imprensa brasileira desde 1900, em revistas como Revista da Semana, Kosmos, Malho, Careta, Fon-Fon, por exemplo. A Manzon se juntaram fotógrafos importantes como José Medeiros, Flávio Damm, Luciano Carneiro, Luis Carlos Barreto, Ed Keffel, Marcel Gautherot, Peter Scheier, Henri Ballot e até Pierre Verger. Mas devemos a Jean Manzon a inclusão da fotografia como um elemento importante e relevante para a realização de uma reportagem. Os assuntos eram variados, as imagens ocupavam cada vez mais as páginas da revista à exemplo da legendária revista norte-americana Life. A fotografia se tornou o olho do leitor era ela que determinava a pauta da revista, não era ilustração, nem apoio ao texto, ela conferia autenticidade ao texto. Na época várias foram as reportagens: a do próprio Getúlio Vargas que confiava plenamente no fotógrafo e o deixou participar de sua vida familiar, dos índios na floresta amazônica, artistas, pracinhas que embarcavam para lutar na Europa: tudo era motivo para as páginas da revista abrirem espaço para a fotografia. Seu grande parceiro de reportagem foi David Nasser. O livro é também, resultado de uma acurada pesquisa iconográfica feita por Vladimir Sacchetta, expert quando o assunto é memória brasileira. Aliás, é bom lembrar que muitos livros e revista não seriam o que são não fosse o trabalho meticuloso e extraordinário dos pesquisadores iconográficos que além de conhecer imagem devem saber do assunto que estão pesquisando e mais, aonde encontrar o que estão buscando. Dividido em 4 capítulos principais: Anonimato e Personalidade, Rústico e Industrial, Sagrado e Profano e Tradição e Modernidade, o livro apresenta algumas das mais significativas e ufanistas imagens produzidas por Manzon: o final da década de 40 e a década seguinte: um Brasil que queria se mostrar desenvolvimentista, um Brasil das praias, das belas mulheres, da música, imagens que ajudaram a criar uma idéia de um país. Jean Manzon sempre se preocupou mais com a estética do que com o conteúdo: tudo valia para esculpir uma bela imagem. No texto Ana Cecília Martins lembra uma frase de Accioly Netto publicada no livro O Império de Papel: “Jean Manzon era um esteta, achava que a realidade deveria ser transformada em obra de arte para agradar o público”. Portanto como bem lembrava David Nasser: “exatidão não era, de fato, o forte do ofício”. Mesmo assim a fotografia também deve a essa época o tratamento diferenciado recebido pelos repórter-fotográficos: eram tratados como celebridade, reconhecidos nas ruas e freqüentavam a alta-sociedade. A criação de mitos e mitologias. Nos anos 50 Manzon transfere-se para a Revista Manchete: suas imagens se “casam” perfeitamente com as idéias de JK: “50 anos em 5”. Amplia também sua vocação de contador de histórias e envereda pelo cinema. Foi o próprio JK que o convidou para acompanhar por meio de imagens o surgimento da nova capital, assim como todas as obras governamentais. Suas imagens ajudaram a criar uma idéia concreta de Brasil. Sua forma de trabalhar se diferenciava de uma estética fotográfica daqueles anos que invadiam as páginas das revistas ilustradas. Ao contrário do lema do “momento decisivo” de Cartier Bresson Jean Manzon, criava o olhar. É ainda Ana Cecília Martins que nos lembra que “Jean Manzon foi testemunha privilegiada de um dos momentos mais ricos e decisivos períodos de nossa história”.
|
|
|||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||
![]() |
|
|||||||||||||||||
![]() |
|
|||||||||||||||||
|
|
|
|||||||||||||||||
|
|
|
|||||||||||||||||
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|